Sábias são as gaivotas
que todo dia se reúnem
- na beira da praia
para ver o pôr do sol
5.6.15
4.6.15
Oferenda
Na ressaca da virada
após um ano corrido
eis que vem flutuando
plácida e imaculada
uma rosa branca
devolvida pelo mar
após um ano corrido
eis que vem flutuando
plácida e imaculada
uma rosa branca
devolvida pelo mar
3.6.15
Padre Sísifo
Não deixava de ir às ruas um só dia, visita fazendas, comércios, empresas, a prefeitura e as praças; sempre com as mãos estendidas em ambos os sentidos: em auxílio e por auxílio. Enquanto estava na rua, mantinha uma caixa de aço, com cadeado bem fechado, na capela simplória, contruída pelo antigo coronel, para o caso de aparecem fiéis afeitos a uma benevolência.
Penosamente tirava o sustento de si próprio e dos necessitados. Mal dava para as contas do mês e os apetites da rotina, tanto menos para as economias. E ele passou anos a anos nesta sina: recolhendo esmolas miúdas, para construir uma igreja impossível.
Penosamente tirava o sustento de si próprio e dos necessitados. Mal dava para as contas do mês e os apetites da rotina, tanto menos para as economias. E ele passou anos a anos nesta sina: recolhendo esmolas miúdas, para construir uma igreja impossível.
2.6.15
1.6.15
Sinestesia
Encosto uma concha
na orelha
para ouvir o mar
E recosto a cabeça
no teu colo
para ver estrelas
na orelha
para ouvir o mar
E recosto a cabeça
no teu colo
para ver estrelas
29.5.15
28.5.15
27.5.15
26.5.15
25.5.15
23.5.15
IV Prêmio Literário Cidade Poesia
O conto Destino foi selecionado para compor a coletânea do IV Prêmio Literário Cidade Poesia - Associação de Escritores de Bragança Paulista (ASES).
Hoje foi realizado o evento de lançamento da coletânea. Uma pena não ter sido possível comparecer para reencontrar diversos amigos e fazer alguns novos.
22.5.15
Que arde
Vivemos em tempos duros
de homens amargos
sufocados por crenças brutas
em que o amor
é insulto
e a violência da turba
- desafogo de rotina
é a cura
de homens amargos
sufocados por crenças brutas
em que o amor
é insulto
e a violência da turba
- desafogo de rotina
é a cura
23.2.15
Recriação
Um sábado qualquer, dia de folga, Ele resolveu ir a Recife, Pernambuco, e seguiu direto à oficina de Brennand, o ceramista.
Chegando lá, admirado com as obras em barro-e-água, estarrecido com a quantidade de detalhes, estancou os pés no chão e suspirou.
Levou horas para desfazer toda a confusão
20.1.15
Destino
Quando, enfim, o choro da criança cessou, abafado, todos seguiram viagem aliviados. Alguns, para voltar a dormir, ajeitaram-se nas poltronas, com as pernas sob as mantas demasiado curtas e as cabeças recostadas nos travesseiros espalmados cedidos pela viação.
Os motores continuaram ressoando, constantes e diligentes, adentrando a madrugada. Os faróis na direção contrária, cada vez mais escassos, atiravam-se sobre algum detalhe do acabamento interno e, vez ou outra, refletiam em ameaças ao sono dos mais sensíveis.
Pela manhã, aproximando-se da região metropolitana, iniciou-se a romaria à porta do motorista, seguida pelos desembarques antecipados, em postos de gasolina, passarelas e semáforos.
Ao chegar à rodoviária, os passageiros restantes desembarcaram, pegaram suas malas e seguiram seus destinos. Nas poltronas e no chão, garrafas e embalagens vazias; Enrolado em uma manta, o corpo mirrado.
10.12.14
Audiolivro Colcha de Retalhos, uma obra coletiva
Textos de Rodrigo Domit
Interpretação, vozes e sotaques de Alexandra Barcellos, Alvaro Marcos Teles, Ana Cecília Reis, Ana Paula Scolari, Andréa Filisberto, Ariadne Cavalcante, Carlos A. Antonholi, Eliziane N. Lobo Pacheco, Emilio Rogê, Fabio Honorato, Gabriela Kruger, Giovani Iemini, Gisele Pacola, Karen Debértolis, Larissa dos Santos Fernandes, Luana Shockness, Luisa Fresta, Marcel Francisco Veiga (Cel Bentin), Marcinha Girola, Mario Filipe Cavalcanti, Paulinho Sabbag, Rafael Cal, Rodrigo Domit, Rosa Cardoso, Sabrina Vaz, Sidclei Nagasawa, Thais Helena Cólus, Thaisa Carolina Meraki, Viviane Oliveira e Zé Alex
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