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2.6.23

Revista SerEsta 11

Recebi com muita alegria o convite para ser o entrevistado da Edição 11 da Revista SerEsta.

Cada edição da revista é voltada a homenagear a obra de um grande autor ou autora e, justamente na Edição 11, o homenageado é meu conterrâneo Paulo Leminski. É uma honra ainda maior ser o entrevistado justamente nesta edição!

 Para conferir esta edição, com a entrevista entre as páginas 65 e 77, acesse:

https://www.calameo.com/read/0061411268137facbc14a?page=1

 

Para saber mais sobre a revista, acesse:

https://revistaseresta.blogspot.com/

 


 

29.10.12

Entrevista - Taynara Almeida

A jovem escritora Taynara Almeida, de Presidente Venceslau - SP, iniciou uma série de entrevistas com outros autores para seu novo blog. E eu tive a honra de ser o primeiro da fila!

Conheçam mais sobre a autora aqui:


E confiram abaixo o resultado deste bate-papo:


Entrevista

(T.A) A partir de qual idade interessou-se pela escrita?
R. Domit: Desde sempre, mas não a sério. Quando garoto escrevia para divertir os amigos ou provocar suspiros nas amigas. Só em 2007, aos 23 anos, que eu comecei a pensar na literatura mesmo.


(T.A) Qual a sua maior inspiração para escrever?
R. Domit: Cenas do cotidiano. Coisas que acontecem por aí e que eu busco recortar e transformar. Há cenas, frases, rostos e detalhes que se desdobram em histórias inventadas, com um pé na realidade, mas com o outro lá longe...


(T.A) Admira e/ou aprecia as obras de outro autor?
R. Domit: São diversos autores que admiro. Meus preferidos são Eduardo Galeano, Italo Calvino, José Saramago e Albert Camus. Entre os brasileiros, tenho grande apreço pelas poesias de Sérgio Bernardo e de Zeh Gustavo e pelas prosas de Benedito Costa. [eu não queria ficar citando os clássicos e renomados nacionais que todo mundo conhece]


(T.A) Qual o seu primeiro passo rumo ao reconhecimento? Foi fácil?
R. Domit: A Seleção no concurso Luiz Vilela em 2007 foi o primeiro passo. E os concursos literários continuam sendo passos rumo ao reconhecimento. Hoje sou reconhecido como um escritor, o que é bem diferente de ser um escritor reconhecido. Sou mais um entre anônimos, mas os concursos literários tem me alçado, degrau a degrau, nesta carreira longa e árdua. Nada vem fácil, ainda mais pra quem produz literatura no Brasil.


(T.A) Imaginava um dia ser reconhecido como escritor?
R..Domit: Até 2007 eu nem imaginava ser escritor. E só passei a reconhecer-me como escritor e a preencher formulários como tal - no final de 2011, quando veio o segundo livro. Então não deu tempo para pensar nisso ainda.


(T.A) Qual a sensação ao descobrir que tinha talento?
R. Domit: Foi um processo longo de convencimento. As seleções em concursos literários é que me convenceram de que havia qualidade nos textos que eu produzia. A sensação é boa, mas não sei explicar; é bom demais ter seu esforço reconhecido, acho que a sensação é de missão cumprida.


(T.A) Sua família tem lhe apoiado desde o princípio?
R. Domit: Sim. Sempre. Meus pais, irmãos e familiares dão todo o apoio. Quando arrisquei alguns passos, tive a certeza de que essa rede de segurança estava pronta a amortecer uma possível queda.


(T.A) A escrita é sua profissão no momento?
R. Domit: Paralela, sim. Mas tenho um emprego durante a semana, de segunda a sexta, para pagar as contas.


(T.A) Atualmente está a preparo de uma nova obra?
R. Domit: Estou com um nó na cabeça... Entre prosas e poesias, não sei para que lado vou.


(T.A) Após ser escritor mudou algo em sua vida além da rotina?
R. Domit: Tenho viajado um pouco mais, a trabalho, para os lançamentos, e conhecendo muito mais gente de todo o Brasil. A literatura é um criador de laços universal e, com as redes sociais, tudo fica ainda mais fácil- afinal, se a pessoa gosta de um texto e quer comentá-lo, eu, autor, estou ali, a um clique.


(T.A) O que diria aos escritores que não são reconhecidos e que não tiveram oportunidades para seguir carreira?
R. Domit: Acessem http://concursos-literarios.blogspot.com e tirem os textos da gaveta!

20.10.12

Toda Letra e Mundo Livre FM

Por conta do lançamento da versão digital do livro Colcha de Retalhos, concedi uma entrevista ao Portal Toda Letra, que também conta com um espaço - chamado de Um Mundo de Letras - no portal da Mundo Livre FM.


Segue abaixo a matéria publicada:

http://blogs.mundolivrefm.com.br/mundodeletras/2012/10/19/autor-paranaense-inova-ao-disponibilizar-livro-premiado-na-internet/


Autor paranaense inova ao disponibilizar livro premiado na internet
Por Toda Letra em 19 de outubro de 2012

O autor paranaense Rodrigo Domit, que reside atualmente no Rio de Janeiro, inovou ao lançar o seu livro “Colcha de Retalhos” na internet no dia 12 de outubro, em comemoração ao Dia Nacional da Leitura. Rodrigo disponibilizou a versão digital de seu livro, finalista do Prêmio SESC 2008, primeiro lugar do Prêmio Utopia 2010 e terceiro lugar do Concurso Internacional da União Brasileira de Escritores 2012, para leitura online ou download. O pagamento pela leitura da obra e a quantidade monetária devem ser decididos pelo leitor. Segundo Rodrigo, o livro é resultado de dois anos de pesquisa e de exercícios de criação com textos curtos – prosas e poesias. “Por conta disso ele apresenta essa variedade e transição de gêneros, temas, linguagens e estilos. Não consegui vislumbrar outro nome que não fosse este, bem representativo de como produzi e como vejo o livro”, conta.

O autor explica que o principal objetivo de disponibilizar a versão on-line de sua obra é difundir a sua produção, e a internet contribui no sentido de diminuir as barreiras físicas, econômicas e geográficas. “Além disso, o e-book, após a produção do livro impresso, quase não tem custo – o que torna viável esta ‘promoção’. Independente do custo, muitos exemplares impressos foram doados para bibliotecas e deixados em locais públicos, durante eventos como a Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro, FLIP, em Paraty, e Bienal do Livro de São Paulo. Também cabe citar que o e-book ainda é uma incógnita no Brasil, e meu lado pesquisador do mercado editorial fica tentado a saber se e quanto as pessoas estão dispostas a pagar por um livro digital”, explica Rodrigo, que estudava estratégias alternativas de divulgação e distribuição para o mercado editorial e vinha preparando o lançamento em formato digital desde o começo do ano.

O livro impresso foi lançado em dezembro de 2011 e já circulou por eventos no Rio de Janeiro, Paraty (Flip), São Paulo (Bienal), Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu, Uberlândia, Uberaba, Brasília e Sinop (e deve passar por Porto Alegre ainda esse mês). A obra é composta majoritariamente por contos, mas também apresenta crônicas e poesias. O texto conquistou o primeiro lugar no Prêmio Utopia de Literatura em 2010, organizado pela Utopia Editora, de Brasília. Além disso, a publicação também foi finalista do Prêmio Nacional SESC de Literatura, em 2008, e conquistou, em 2012, o terceiro lugar no concurso internacional promovido pela União Brasileira de Escritores (UBE).

Direitos autorais

Em entrevista à Toda Letra, Rodrigo afirmou que a legislação de direito autoral no Brasil, datada de 1998, está defasada por não contemplar todas as possibilidades de produção, distribuição e reprodução que foram introduzidas pela internet. “No entanto, o mercado editorial já está mudando e ainda vai mudar muito, tal qual a indústria fonográfica, que foi obrigada a adaptar-se ao MP3. No meu caso específico, acredito que não vale a pena produzir arte se esta não for inspiradora. Se minha obra for inspiradora a ponto de alguém criar outra obra, em outros meios e suportes, penso que cumpri minha missão. Só não pode mesmo usar meu trabalho para ganhar dinheiro, aí eu me sentiria roubado”, conclui.

15.9.12

Concursos Literários no site Pra Ler


O Pra Ler - que conta com um site e um programa de rádio, que é veiculado toda quinta-feira, às 16:15, na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM ou www.ufmg.br/radio) - publicou uma série de matérias sobre Concursos Literários que contou com minha colaboração, como entrevistado.

Seguem abaixo as três matérias:

[Série] Concursos literários – Atrás dos pseudônimos
Escrito por Julia Marques
27 de agosto de 2012

No último dia de 1937, um jovem de 29 anos, escondido pelo pseudônimo Viator, apostava suas fichas em um calhamaço com mais de 500 páginas de contos datilografados para um concurso literário. O prêmio era bom: a publicação do livro pela Editora José Olympio, tradicional editora brasileira e pertencente ao Grupo Record desde 2001. Depois de descartar obras “menos sólidas”, uma comissão julgadora formada por ninguém menos que Prudente de Morais, Dias da Costa, Peregrino Junior, Marques Rebelo e Graciliano Ramos enfrentou a difícil missão de permanecer unida após o concurso. Entre os finalistas, estava a obra do desconhecido Viator e outra coletânea de contos muito mais enxuta, de Luiz Jardim, um veterano em prêmios literários.

Quase se estapearam na hora de decidir entre os dois. Graciliano quis o livro menor. Dias da Costa, também. Insatisfeito, Marques Rebelo “gritou, espumou, fez um número excessivo de piruetas ferozes” – como esclareceria o próprio colega Graciliano anos depois – e deu seu voto para Viator. Prudente foi atrás. Peregrino foi quem decidiu. Venceram a democracia e o livro Marias perigosas, de Luiz Jardim. Nove anos mais tarde, Viator lançou seu livro pela Editora Universal, no Rio de Janeiro. A primeira edição de Sagarana em poucos dias se esgotou e um novo autor começava a chamar atenção no meio literário: João Guimarães Rosa.

Primeira edição de Sagarana

Mais de 70 anos se passaram desde que essa história aconteceu, mas ainda hoje as editoras buscam a via do concurso literário para descobrirem bons autores. Também não é raro que os julgadores gritem e espumem, assim como fez Marques Rebelo, para darem a vitória ao livro que mais lhes agradou. E no mundo à parte dos concursos literários, atrás de seus pseudônimos, os autores se movimentam em busca de fazer conhecida a sua verdadeira identidade. Poucos conseguem, outros tantos permanecem Viatores.

Tour pelos prêmios

Concursos literários existem há muitas décadas no Brasil, mas talvez o Prêmio Humberto de Campos, do qual Guimarães Rosa participou, não fosse tão concorrido quanto o são hoje outras competições literárias até menos tradicionais. De uns anos pra cá, com a popularização da internet, concursos que já existiam ganharam uma maior divulgação. O editor do blog Concursos Literários, Rodrigo Domit, explica que após a criação das redes sociais e suas comunidades, ficou mais fácil encontrar pessoas com interesses comuns e dispostas a compartilhar conteúdo. “Acredito que a comunidade ‘Concursos Literários’ no Orkut, no ar desde 2004, foi um marco para ampliar a divulgação de certames”, destaca.
O próprio blog de Rodrigo é um dos espaços de maior divulgação dos concursos literários. O endereço está no ar há apenas um ano e meio, mas apesar da pouca idade já dá passos grandes. Rodrigo foi quem criou o domínio, mas conta hoje com dez colaboradores, das cinco regiões do país. O objetivo é garimpar o maior número de concursos literários espalhados pelo Brasil e levar os editais ao conhecimento dos escritores. “A gente sai à caça e já fechei o mês com 48 concursos”, conta.
A maioria dos concursos literários hoje está localizada nas regiões Sudeste e Sul do país. Mas todos os estados já contaram com pelo menos um certame. Se as capitais concentram maior número de prêmios, cidades menores como Ituiutaba, em Minas Gerais, e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, comandam a realização de premiações muito renomadas e tradicionais.





[Série] Concursos literários – Gêneros Diversos
Escrito por Julia Marques
29 de agosto de 2012

Basta um pequeno passeio pelos editais dos concursos literários para saber que eles não são, nem de longe, iguais. As diferenças vão desde a nascente – quem patrocina – até a foz – a forma de entrega da premiação. Nesse percurso, existem ainda muitos meandros.

De acordo com Rodrigo Domit, editor do blog Concursos Literários, as maiores fontes patrocinadoras de concursos no país são estatais, como prefeituras, secretarias de cultura, fundações culturais e bibliotecas públicas; ou paraestatais, como o Serviço Social do Comércio (Sesc). Em seguida, no ranking dos que mais promovem esse tipo de atividade, estão as instituições literárias ou relacionadas à literatura, como as academias de letras, editoras, livrarias e revistas.

As regras para a participação também variam muito. Concursos como o Jabuti – o mais importante prêmio literário do Brasil, lançado em 1959 – não premiam autores inéditos, mas sim obras já publicadas. Outros, ao contrário, exigem que o texto ainda não tenha circulado no meio literário, o que significa que a obra não pode ter sido impressa ou até mesmo disponibilizada para leitura em blogs ou sites.

Troféu do Prêmio Jabuti, por Danilo Máximo

Para alguns editais, é possível tirar da gaveta um poema ou um conto antigo e participar. Outros exigem um esforço maior: é preciso ter não só uma, mas sim um livro inteiro de poesias antes de se inscrever. Para os que têm bom poder de síntese, já existem concursos próprios para os microblogs, como o que a Academia Brasileira de Letras lançou em 2010. A exigência era fazer um microconto com apenas 140 caracteres, um tweet.

Os gêneros literários premiados também variam inclusive em um mesmo concurso. É o caso, por exemplo, do Prêmio Literário Livraria Asabeça, organizado pela Editora Scortecci. “A cada ano, o Prêmio é organizado e planejado de uma forma diferente. Esse ano ele está contemplando livro de poesia e livro de contos. Ano que vem vai ser uma novela e um romance”, anuncia o editor responsável pelo certame, João Scortecci. O prêmio da Asabeça é a publicação do livro. Outros concursos dão quantias em dinheiro e existem aqueles que garantem, ao contrário, bons gastos.

Prêmio que não é prêmio
“Verdadeiros estelionatários, que cobram pela inscrição, pela publicação e, em alguns casos, não chegam nem a entregar a obra”. Assim o editor do blog Concursos Literários caracteriza os prêmios conhecidos pelos escritores como caça-níqueis. Para evitar que autores iniciantes caiam nesse tipo de armadilha, o blog não divulga concursos que cobrem taxa de inscrição.

O escritor Rafael Clodomiro foi vencedor do prêmio UFF de Literatura, da Universidade Federal Fluminense, em 2009, na categoria Poesia. Na comunidade do Clube dos Autores, ele organizou um fórum só para debater os concursos literários com outros escritores. Rafael aconselha que os autores iniciantes tenham atenção especial aos concursos que cobram taxas. “É nestes que estão os maiores problemas. Logicamente, quando você paga alguma coisa, você espera um retorno muito bom, principalmente na premiação, avaliação e divulgação. E, se um desses quesitos não acontece, os autores se sentem frustrados”, explica.

Mas a taxa de inscrição pode não ser um indicativo absoluto da má qualidade. Concursos considerados sérios, como o Jabuti, fazem esse tipo de cobrança e estão longe de serem estelionatários. Para o escritor Alexandre Lobão, que dá dicas a autores em seu site, é preciso, mais do que verificar se há taxas, olhar para o histórico da entidade que promove o concurso e avaliar os editais. Se a promessa é publicar uma coletânea custeada pelos próprios autores, pode não valer muito a pena. Alexandre destaca, entretanto, que mesmo os concursos considerados caça-níqueis podem não ser uma roubada tão grande quanto parecem. “Às vezes o cara é um autor inédito, quer publicar o trabalho dele. Ele entra lá, gasta de repente 30 reais para fazer uma inscrição. Se ele for selecionado vai ser um trabalho dele, por mais que seja uma coisa que digamos não é muito séria, reconhecida”, pondera.





[Série] Concursos literários – Do outro lado do texto
Escrito por Julia Marques
6 de setembro de 2012

Assim como os concursos, as motivações para participar também são diferentes e dependem do autor e sua posição no meio literário. O escritor Alexandre Lobão conta que atualmente só participa do concurso de Ficção Científica Brasileira (FC do B), idealizado em 2004 pela Book House Boys, com o objetivo de se divertir. Mas no início de sua carreira, Lobão considera que os concursos foram importantes para que ele continuasse escrevendo.

Autores que nunca publicaram encontram nos concursos literários um aval para a qualidade de suas obras. Rodrigo Domit, editor do blog Concursos Literários, acredita que o que leva as pessoas a começarem a participar é a ansiedade por saber se alguém que não conhecem e que entende de literatura vai gostar daquilo que produzem. “O dinheiro também pesa, mas acho que, no começo, é mais o desejo de saber se é bom – como se ficar de fora da lista de selecionados fosse um atestado de ruindade”, aponta.

Muitos concursos não garantem a publicação da obra, mas dão visibilidade ao autor. “Todos os participantes vão querer conhecer os textos e autores selecionados. Depois, o autor ainda pode enriquecer o currículo literário, enviar release para a imprensa local quando se destaca em algum prêmio e, se houver cerimônia de premiação, ainda tem a oportunidade da troca de experiências com outros selecionados e com os autores da região em que o concurso é realizado”, destaca Domit. A visibilidade pode ser uma chancela para o mercado editorial. O escritor Rafael Clodomiro acredita que os prêmios ajudam a tornar os escritores conhecidos no meio, o que facilitaria a publicação da obra. “As editoras não querem somente autores talentosos na arte de escrever, e sim, também, escritores que estão sendo bem falados, bem criticados”, diz.

O escritor Cristovão Tezza também acredita que os concursos eventualmente facilitem a edição, mas relativiza o papel dos concursos na inserção de um autor no mercado editorial. “Um prêmio pode chamar a atenção de uma editora, mas certamente não será determinante para a decisão de publicar um livro”, defende. O escritor, que foi finalista no Prêmio Internacional Impac-Dublin de literatura e faturou o Jabuti e Portugal-Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, conta que nunca escreveu pensando em concursos. “Eles apareciam e eu me inscrevia, assim como mandava meus originais para as editoras. Jamais perdi o sono por não ganhar concurso”, afirma.

Cristovão Tezza, por Guilherme Pupo/Folhapress

Mas ele também acredita que eles podem abrir oportunidades. No seu caso, a menção honrosa no Prêmio Cruz e Souza para a obra Ensaio da Paixão, em 1981, valeu uma edição do livro em 1985. Já a segunda colocação no concurso da Petrobras facilitou a primeira edição de Aventuras provisórias. Mas Cristovão conta que o que de fato começou a lhe dar espaço na literatura brasileira foi a edição de Trapo, em 1988, por uma grande editora. “O mesmo texto que havia perdido dois ou três concursos de romances inéditos nos anos anteriores”, pontua.

A trajetória de premiações de Cristovão Tezza não é nem de longe parecida com a da maioria dos escritores. Muitos tentam concursos há bons anos e nunca conseguiram menções honrosas. Porém, não ser premiado em um concurso não significa necessariamente que um texto é ruim e muito menos que é hora de desistir de escrever. “Quem almeja se projetar como escritor deve antes de mais nada se preocupar em escrever bons livros. Concurso é acidente, não objetivo de vida”, acredita Cristóvão.

O julgamento
Até o dia 30 de setembro deste ano, algumas dezenas de livros de contos e poesias devem chegar à Rua Deputado Lacerda Franco, no bairro Pinheiros, em São Paulo. O endereço é do Grupo Editorial Scortecci, que promove anualmente o Prêmio Literário Livraria Asabeça. Do material enviado, será escolhido no dia 31 de dezembro um livro de contos e um de poesia para serem publicados pela Editora. Até lá, um longo caminho pela frente.

O editor responsável pelo certame, João Scortecci, conta que logo que as obras chegam, passam por uma primeira triagem feita por ele mesmo. Nessa primeira peneira saem os “trabalhos muito fracos” ou “com erros de português”. Ele explica que isso elimina cerca de metade do material. Depois da triagem é montada uma comissão julgadora, formada por escritores, que muda a cada ano. Este ano é provável que sejam contistas e poetas, para avaliarem esses dois gêneros contemplados pelo concurso.

Cada jurado escolhe dez trabalhos e depois discutem e mostram os prós e contas das obras pré-selecionadas. Em um processo nem sempre amistoso, a comissão julgadora deve sair com um único título a ser premiado. Mas, se cada um vota em uma obra, a escolha se complica. Aí a decisão volta a Scortecci, que é o editor responsável. É ele quem dá o voto de Minerva.

“Os jurados vão por uma preferência pessoal. Aliás, todo concurso é muito pessoal”, defende João. Não há um critério geral que norteie os autores na hora da escolha, mas Scortecci dá pistas sobre suas preferências: “os jurados procuram aquilo que é novo, que é diferente, aquilo que pode realmente representar um bom livro”. E o que pode representar um bom livro? A resposta está longe de ser um consenso.

Cristovão Tezza, que já foi membro de várias comissões julgadoras, entre elas a do último Prêmio Sesc de Literatura, conta que julgar dá muito trabalho, pela quantidade de leitura que exige e pela subjetividade inevitável da avaliação. “Literatura não é, e jamais deve ser, ciência exata. Quem entra num concurso deve estar ciente de que será objeto de uma avaliação de momento, segundo determinadas percepções e visões de literatura carregadas de uma inevitável, e de certa forma desejável, dose de subjetividade”, diz.

22.7.12

Matéria - Folha de Londrina

Com atraso (achei que havia publicado na época), mas segue abaixo a matéria:

Retalhos literários

Rodrigo Domit lança hoje em Londrina o livro ''Colcha de Retalhos''

05/05/2012 | Rafael Ceribelli

Acontece hoje, em Londrina, o lançamento do livro ''Colcha de Retalhos'', obra que traz uma compilação de 73 microcontos escritos pelo autor paranaense Rodrigo Domit.

A obra é um emaranhado de frases soltas, pensamentos, aforismas e pequenas crônicas. ''A única unidade deste livro é que são todos fatos do cotidiano. Mas não existe mesmo uma preocupação específica com estrutura ou com temas'', explica o escritor.

Com sacadas inteligentes, às vezes recheadas de ironia, os textos de Domit chamam a atenção no meio literário nacional: escritos desde 2008 - e publicados diariamente em seu blog (tirocurto.blogspot.com.br) - seus microcontos já foram selecionados para participarem de diversos concursos no País, conquistando, recentemente, o 1º lugar nas premiações Machado de Assis (2011), no Prêmio Cidadão (2011) e Prêmio Utopia (2010); com a premiação deste último, Domit conseguiu publicar a impressão de 200 exemplares do novo livro, promovendo lançamentos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Surgido como uma compilação dos textos publicados online, ''Colcha de Retalhos'' é fruto de um exercício literário que foi adotado, nos últimos três anos, por Domit. ''Acho que, da mesma forma que um ator ensaia, o escritor também precisa praticar, ler e escrever, o máximo possível'', explica o autor, orgulhoso com o resultado do trabalho.

Nascido em Curitiba, Domit morou por 18 anos em Londrina antes de se mudar, definitivamente, para o Rio de Janeiro. ''Lançar um livro aqui é uma realização. Aqui é onde eu estudei, me formei, me criei, onde construí amizades que tenho até hoje. Vai ser uma festa'', completa. O projeto gráfico da obra é de autoria da ilustradora londrinense Laís Brevilheri.

20.7.12

Agenda Cultural SESC-DF

Segue matéria publicada este mês, após entrevista concedida à agenda cultural do SESC-DF:



* Eu só faria uma correção, o blog Concursos Literários não é só meu: hoje ele é de uma equipe de 12 pessoas!

31.5.12

Entrevista e sorteio de livros - Rádio UEL FM - Londrina

Na edição de 29 de maio do programa Modos de Vida, foi veiculado um trecho da conversa que tive com a jornalista Juliana Mastelini Moysés. Além disso, ao final do programa foi realizado um sorteio de quatro exemplares do livro Colcha de Retalhos.

Para ouvir o programa na íntegra, acesse:

4.5.12

Entrevista - Rádio UEL FM - Londrina




Modos de Vida - Comportamento e Cultura

Rodrigo Domit
03/05/2012



O escritor Rodrigo Domit (foto) lança neste sábado, em Londrina, Colcha de Retalhos.
São 73 textos curtos entre contos, crônicas e prosas poéticas.
Domit nasceu em Curitiba, em 1984, foi criado em Londrina e fez comunicação social na Universidade Federal do Paraná. Hoje vive no Rio de Janeiro.
O fato de ter vivido um trauma em Londrina, em 2003, o fez descobrir o autor uruguaio Eduardo Galeano. Foi aí que decidiu que queria escrever mais.
Vencedor de prêmios de literatura, ele conversou com Juliana Mastelini.


Clique aqui para ouvir a entrevista:
http://www.uel.br/uelfm/arquivo.php?id=8724


O lançamento de Colcha de Retalhos é neste sábado, às 7 da noite, no Villa Badú, na rua Alagoas, 679. O livro custa 10 reais.
Também pode ser comprado no blog livrocolchaderetalhos.blogspot.com

10.1.12

Entrevista - Tabletes Culturais

A escritora Joana Cabral, autora do livro Fragmentos do Desencontro, entrevistou-me - por e-mail - para o site Tabletes Culturais, um projeto administrado por cinco mulheres (uma com sete anos de idade) que escrevem sobre literatura e cultura em geral.

Para conhecer o site e ler na íntegra a entrevista, clique aqui.



Entrevista para o site Tabletes Culturais:


TC) Para você o que é ser escritor?

Rodrigo Domit - Acredito que é possível dividir o termo, tal como as especializações, em lato e stricto sensu. No sentido amplo é o sujeito que escreve e que compartilha seus textos. O sentido estrito exige um pouco mais: é a pessoa que encara a escrita de maneira profissional - ainda que seja a profissão paralela - e que publica e distribui seus textos nos suportes mais tradicionais: livro e e-book.
Ainda que possa parecer uma visão hierarquizada, penso que não existe um meio de apontar se um escritor é melhor por encarar de maneira profissional e publicar em formato tradicional. Muitos bons escritores ficam de fora do mercado e transformam literatura em hobby, ao passo que muita gente ruim está por aí, nas estantes de livrarias. Espero que os e-books e as publicações independentes, cada vez mais acessíveis, tornem mais tangível a ideia de ser escritor no sentido estrito.


TC) O seu livro é de contos. Você acredita no mercado editorial para os contistas? Já teve algum livro recusado por ser de contos?


Rodrigo Domit - Neste ponto vou ser um pouco radical: eu não acredito no mercado editorial para autores em início de carreira, independente do gênero. O mercado editorial é um negócio e o autor estreante é um investimento de risco; Sendo assim, em regra, as grandes editoras descartam sem nem ler, enquanto as pequenas e médias especializam-se nas pequenas tiragens. Aí, para ter lucro com tiragens pequenas, a editora precisa ou publicar muita gente - e dar pouquíssima atenção em divulgação e distribuição para cada livro - ou publicar poucos autores, com um pouco mais de foco, mas com um preço de capa mais elevado. Não é preciso ser especialista no mercado para reparar que ambos os caminhos estão longe do ideal para quem está começando agora - sem divulgação ou com preço muito alto, o autor tende a ficar restrito a amigos e parentes.
Vive em ilusão o escritor que acredita que conseguir uma editora é algo extremamente complicado e que, após esta fase, colherá os frutos de seu trabalho. Hoje em dia, conseguir uma editora é a parte mais fácil; O verdadeiro problema está em como divulgar e distribuir a obra. Dependendo do caso, é mais vantajoso para o autor publicar-se de maneira independente, eliminando assim as editoras que funcionam apenas como intermediários entre ele e a gráfica; Algumas não oferecem nem capa, revisão e diagramação - só imprimem o livro com o selo deles na capa e colocam em algum site para vender.

É claro que há pequenas e médias editoras sérias e competentes, mas essas também sofrem na mão das redes de livrarias e distribuidoras que compõem a outra face do mercado editorial... Não acaba mais o texto se eu for falar dos problemas que afetam o ciclo do autor até o leitor.

Quanto à parte de ter livro recusado: o Colcha de Retalhos foi finalista do Prêmio Nacional SESC em 2008 e eu, na mais pura inocência, entreguei uma cópia para avaliação da editora que publicou a obra vencedora. Nunca tive resposta! Então, acho que eu ainda posso me gabar de nunca ter um livro recusado, foi só ignorado.
O processo de avaliação de originais é bem complexo e cada um tem uma opinião distinta sobre esse processo e até mesmo sobre influência dele na escrita: tem gente que fala que tem que escrever algo pensando no que pode ser comercializado, tem gente que diz que é preciso tentar descobrir a tendência do próximo verão e antecipar a escrita no tema, tem gente que fala que é preciso ter um agente literário - para o autor só preocupar-se com a escrita - e tem aqueles mais puristas, aguardando que alguém descubra seus talentos. Não dá para estabelecer um caminho certo ou errado, só escrevendo e arriscando que podemos descobrir onde nos encaixamos - se é que nos encaixamos - no mercado da literatura.


TC) Qual a importância dos concursos literários para o seu percurso de escritor?

Rodrigo Domit - Os concursos literários - ao lado dos exercícios de escrita exaustivos e das leituras prazerosas - foram essenciais no meu processo de formação como escritor. Nunca fui de gostar muito do que eu escrevia, mas em 2007 eu descobri os concursos literários e, na primeira tentativa, fui selecionado para a coletânea do Concurso de Contos Luiz Vilela. Hoje eu sei o quanto este prêmio é disputado, mas até o resultado eu não sabia. Quando eu descobri um pouco mais sobre a importância do concurso, comecei a pensar que, se uma comissão julgadora repleta de renomados literatos gostou do meu conto, alguma qualidade ele devia ter, né? E aí eu decidi que devia virar escritor mesmo.

Por conta da importância que dou para os concursos literários no incentivo à produção literária, criei em 2011 o blog Concursos Literários, no qual ajudo a divulgar editais e resultados de certames organizados por todo o país.


TC) Como foi o início de sua vida na literatura e o que diria para os escritores que estão começando o caminho?

Rodrigo Domit - Eu passei por alguns momentos complicados em 2003; Naquela época, conheci os livros do Eduardo Galeano e devorei uns três ou quatro na sequência. Eu já gostava de ler, mas foi naquele momento que eu peguei gosto mesmo pela leitura; Depois disso foi só um passo para começar a escrever. No entanto, apenas em meados de 2006 que eu decidi me dedicar mais à escrita; Afinal, se todo profissional e todo artista passa por um período de formação, treinos e ensaios, por que é que os escritores não teriam que passar? Com o tempo comecei a colher os frutos em concursos literários, comunidades virtuais e no blog de exercícios literários que mantenho até hoje, o Tiro Curto.


TC) É possível viver só da escrita?

Rodrigo Domit - Se você tiver uma grande editora, uma agência literária ou uma rede de livrarias é possível viver da escrita alheia. Sendo escritor fica bem mais difícil...

Há exceções à regra, mas alguns dos maiores escritores do país sustentavam-se como funcionários públicos - cito Machado de Assis e Guimarães Rosa como expoentes. Como exemplo mais recente: o Cristóvão Tezza só conquistou independência do cargo que ocupava após o sucesso e as pomposas premiações pelo seu décimo terceiro livro, O filho eterno.