Eu andava tenso e, durante o banho, senti um nódulo nas costas. Esgotado, tomei um analgésico e dormi. No outro dia, havia um calombo no local; e incomodava, doía muito! No desespero, cutuquei com uma faca. A pele rasgou e saiu dali um ovo; dentro dele, o pequeno demônio já gritava:
– Queime tudo!
12.4.17
11.4.17
Eclosão
Após os tremores, rachaduras rasgaram a capital. Enquanto prédios iam ao chão e aquela imensa criatura brotava dali, todos corriam desesperados.
Sob um viaduto, três pessoas buscaram abrigo. Quando se reconheceram, riram. Um deles comentou:
– Vocês também se conhecem? Esta cidade é mesmo um ovo.
Sob um viaduto, três pessoas buscaram abrigo. Quando se reconheceram, riram. Um deles comentou:
– Vocês também se conhecem? Esta cidade é mesmo um ovo.
10.4.17
Pregador
Sobre um caixote de madeira, no meio da praça, vociferava, eloquente, cortando o vento com as mãos. Em seus discursos inflamados, trazia à tona, das profundezas, os maus presságios de um mundo pestilento.
Era um soldado fanático, idealista, travando guerra de trincheira contra inimigos invisíveis.
Era um soldado fanático, idealista, travando guerra de trincheira contra inimigos invisíveis.
8.4.17
Crônica
Engolia oito pílulas por dia: uma para acordar; uma para comer; uma para sair de casa; uma para manter o foco no trabalho; uma antes e uma depois da academia; uma para gozar; e outra para dormir.
Entupido de remédios, ainda sentia-se mal. O que tinha não era doença, era sina; e a vida não tem cura.
Entupido de remédios, ainda sentia-se mal. O que tinha não era doença, era sina; e a vida não tem cura.
7.4.17
Colateral
O remédio da pressão piorou a circulação; o da circulação complicou o coração; o do coração corroeu o estômago; o do estômago deu pedra no rim; sobrecarga do fígado; dor nas juntas.
E por fim, naquele equilíbrio tão frágil, de folha de outono em galho seco, um vento gelado e a pneumonia o levaram.
E por fim, naquele equilíbrio tão frágil, de folha de outono em galho seco, um vento gelado e a pneumonia o levaram.
6.4.17
Lucidez
Sonhar com a guerra, naqueles tempos em que só se conhecia a paz, era como dar à luz os horrores das batalhas entre os homens.
Ao acordar, desesperada, contraiu-se, como se tentasse conter aquilo tudo no mundo das ideias, e suplicou: que a Grande Mãe não permita nunca que as mulheres percam o poder!
Ao acordar, desesperada, contraiu-se, como se tentasse conter aquilo tudo no mundo das ideias, e suplicou: que a Grande Mãe não permita nunca que as mulheres percam o poder!
5.4.17
Referência
No calor da discussão, antes de virar as costas, disse que encontraria milhares iguais a ela.
A profecia cumpriu-se. Desde então, em cada mulher que encontra, há alguma coisa que é dela.
A profecia cumpriu-se. Desde então, em cada mulher que encontra, há alguma coisa que é dela.
4.4.17
Estilhaços
Após libertar-se daquela relação, fez da mudança um ritual de passagem.
Ao abrir a última caixa e deparar-se com o veleiro aprisionado na garrafa de vidro, não teve quaisquer dúvidas. O fundo da garrafa cedeu nas primeiras pancadas; e, enfim, o vento soprou a favor, com promessas de novos rumos.
Ao abrir a última caixa e deparar-se com o veleiro aprisionado na garrafa de vidro, não teve quaisquer dúvidas. O fundo da garrafa cedeu nas primeiras pancadas; e, enfim, o vento soprou a favor, com promessas de novos rumos.
3.4.17
O beijo
Aquele beijo foi tão intenso que permaneceria cravejado na memória até o último suspiro.
Depois daquele momento, ele sabia, no entanto, que se tratava de uma questão de horas, talvez dias. A máfia não perdoa.
Depois daquele momento, ele sabia, no entanto, que se tratava de uma questão de horas, talvez dias. A máfia não perdoa.
2.4.17
Epidêmica
Em meio à discussão, sentenciou, com veemência, que homossexualismo era doença
Inflamada, a amiga surpreendeu-a com um beijo
Horas depois, já era impossível conter a febre
Inflamada, a amiga surpreendeu-a com um beijo
Horas depois, já era impossível conter a febre
1.4.17
I Prêmio IFSC de Literatura
Em outubro de 2016, vislumbrei um desafio: o IFSC publicou um edital de fomento a atividades culturais. O edital previa o aporte de R$ 2.170,00 para financiar atividades culturais a serem realizadas entre os meses de novembro e dezembro daquele mesmo ano.
Com esse valor em mente, comecei a avaliar possibilidades, angariar parceiros e, no final das contas, julguei que seria possível realizar um concurso literário e publicar uma coletânea.
Os autores André Kondo e Edgar Borges, parceiros de longa data no blog Concursos Literários, abraçaram a causa; em especial o André, responsável pela Telucazu Edições, que se comprometeu a ceder gratuitamente o ISBN para a obra. Além disso, a professora Estela se comprometeu a revisar a obra e a bibliotecária Karla se comprometeu a elaborar a ficha catalográfica. Outras pessoas também se envolveram a colaboraram para o sucesso do projeto, com destaque para a Fabi Schrodi, o Daniel Augustin Pereira e também para os estudantes bolsistas do projeto: Luan, Thaline e Thayna.
Após pouco mais de duas semanas de inscrições, recebemos 349 textos e, após a eliminação de 25 deles, pelo descumprimento do regulamento ou por equívoco dos autores no processo de inscrição, 324 foram avaliados pela Comissão Julgadora.
O objetivo da Comissão era selecionar 60 textos para compor a coletânea do I Prêmio IFSC de Literatura. No entanto, selecionamos 69 textos. Dos 69 autores e autoras selecionados, 44 nunca haviam publicado nenhum texto.
A minha trajetória na literatura começou com o saudoso Concurso Nacional de Contos Luiz Vilela; e foi muito interessante poder abrir espaço, através do Prêmio IFSC, tanto para autoras e autores que já circularam por aí quanto para outros que estão vivendo a mesma experiência que vivi lá em 2007, quando vi meu primeiro texto publicado.
Espero ter outras oportunidades para organizar e editar obras de diversos autores e autoras. Que venham os editais! E que se mantenham as parcerias!
Mais informações:
http://premioifsc.blogspot.com.br/
Espero ter outras oportunidades para organizar e editar obras de diversos autores e autoras. Que venham os editais! E que se mantenham as parcerias!
Mais informações:
http://premioifsc.blogspot.com.br/
9.3.17
9º Concurso Literário Conto e Poesia - Sinergia
A poesia Quimeras foi selecionada para compor a coletânea do 9º Concurso Conto e Poesia, organizada pelo Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis – Sinergia.
18.2.17
II Prêmio Escambau de Microcontos
O Prêmio Escambau de Microcontos, organizado pelo grupo Escambanautas, de Fortaleza, tem uma dinâmica muito interessante de participação: são lançadas palavras-tema diárias e, semanalmente, os organizadores selecionam os 35 melhores textos. O concurso dura 28 dias e atrai participantes de todos os cantos do país; além de alguns autores e autoras além-mar!
Na segunda edição do prêmio, realizada em janeiro de 2017, três de meus microcontos, com as palavras Semente, Destino e Circo, foram selecionados entre os melhores do certame.
17.2.17
Caixinha
Naquele aniversário, ganhei de presente uma caixinha quadrada. Fiquei decepcionada, emburrada.
Então, minha avó aproximou-se, encaixou um pedaço de metal em um canto e começou a girar.
Quando ouvi os primeiros estalos, abri bem os olhos. Quando vi a bailarina, enchi-os de lágrimas.
16.2.17
Insípido
Quando viu aquela mão desconhecida estendida, oferecendo um pequeno quadrado colorido, achou que fosse um chiclete, algum doce; mas não tinha gosto.
Horas depois, no momento em que as gotas da chuva em cores vivas começaram a explodir em notas musicais na areia movediça da praia, tudo fez sentido.
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